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Lendas e Tradições PDF Imprimir e-mail

 

Terra antiga de séculos, Freixo de Espada à Cinta é rico em histórias que os mais velhos contam com gosto nas noites longas e gélidas do Inverno, aquecidas por uma boa lareira, e que consagradas pela perseverança das gentes freixenistas se passam de geração em geração.
Hábitos e contos, costumes e festas tradicionais, é o que aqui deixamos:

 

Origem do nome de Freixo de Espada à Cinta

São muitas as versões e as lendas sobre a origem do topónimo Freixo de Espada à Cinta. De todas elas se deduz algo em comum: uma Espada na Cinta de um Freixo. Não há dúvida de que a palavra Freixo é a designação de uma árvore, que deriva da palavra latina “Fraxinus”, e quanto ao resto entramos no domínio das lendas e do fantástico que à força de se repetirem durante tanto tempo guardamo-las como verdades quase indesmentíveis.
São as seguintes versões que de alguma forma tentam explicar a origem deste topónimo:

Uma das lendas reza que esta vila foi fundada por um fidalgo de apelido “Feijão”, falecido em 977, primo de S. Rosendo, e como por armas no seu brasão figurariam um freixo com uma espada cintada, a vila tomou daí o seu nome.
Outra refere ter sido um nobre godo chamado «Espadacinta» que após uma batalha com os árabes nas margens do Douro e chegado a este lugar se sentou a descansar à sombra de um enorme freixo, onde pendurou a sua espada, perpetuando-se o nome à povoação que um pouco mais tarde se começou a formar: Freixo de Espadacinta.
Dizem ainda que El Rei D. Dinis, estando muito fatigado das guerras que mantinha com o seu filho bastardo, Afonso Sanches, e de passagem por esta terra se deitou a descansar à sombra de um freixo, onde cravou o seu cinturão com a majestosa espada. Adormecendo e embalado pela brisa suave que batia nas folhas da possante árvore sonhou que o espírito do freixo lhe traçava as directrizes mais sábias e correctas para o futuro do reino de Portugal. Quando o rei acordou deste revigorante descanso, decretou que a vila se passasse a chamar Freixo de Espada à Cinta.
O que é certo é que ainda hoje junto à Igreja Matriz e torre heptagonal que nos ficou do extinto castelo medieval, existe um velho freixo venerado e estimado pelo povo, por o considerar o mesmo destas lendas.

 

Sete Passos
Procissão pagã que representa a encomendação das almas (cerimónia característica em diversas localidades transmontanas), de origem medieval e que sobreviveu até aos nossos dias, passando de geração em geração. É um ritual inédito praticando-se apenas em Freixo de Espada à Cinta nos moldes que se passam a descrever.
Realiza-se nas sete sextas-feiras que vão do Carnaval à Páscoa (Quaresma), a partir da meia noite com a total ausência de luz eléctrica nas ruas. A encenação tem início na Praça Jorge Álvares em frente á Igreja Matriz, e segue um percurso em jeito de procissão pelas ruas da vila. Inicialmente, dois homens irreconhecíveis porque encapuchados de negro, ao soar da meia noite lançam com força nas lajes da granito umas lares (diversos ferros unidos a uma corrente) arrastando-os em seguida a compasso certo sete vezes, provocando desta forma um barulho estridente e medonho.
De seguida um outro igualmente vestido de preto e também irreconhecível caminha muito lentamente vergado sobre si mesmo, é a chamada «Velhinha». Numa mão transporta uma lamparina acesa e na outra uma vara em que se apoia, trazendo também consigo uma bota de vinho que serve para dar de beber aos populares que se ajoelhem perante ele e solicitem respeitosamente o sangue de Cristo.
Por último em todos os cruzeiros da vila, um grupo de cantadores entoa cânticos em latim e português alusivos à morte de Cristo onde algumas vozes mais graves rasgam a noite e unidas à fria escuridão completam um cenário de cólera deveras bizarro e sombrio, característico dos ambientes medievais que provavelmente se viviam em Freixo de Espada à Cinta em tempos idos.

 

Procissão dos Passos
Realizada na Sexta Feira Santa, é uma procissão que vai da Igreja da Misericórdia até à Igreja Matriz, e tendo como curiosidade de o percurso ter uma distância inferior a 100 metros e uma durabilidade de cerca de duas horas.


Rebentar do Judas
No Domingo de Páscoa, a meio do percurso da procissão que percorre as ruas da vila, um boneco de palha do tamanho de um homem, representando a figura de Judas vestido, encontra-se pendurado a uma árvore e com explosivos no seu interior. Quando a procissão passa por este local, o rastilho é aceso e o boneco explode desfazendo-se em mil pedaços para alegria da população que simbolicamente vê Cristo vingado.
Estas cerimónias não teriam grande efeito dramático se não fossem realizadas entre edifícios seculares e cheios de história e nas ruas típicas existentes na parte antiga da vila, com as suas reminiscências manuelinas.

 

Enterro do Entrudo
No Carnaval, é curioso o ritual pagão que se realiza há séculos. Trata-se do «Enterro do Entrudo» que encerra os festejos carnavalescos e um período de folia extravasando todas as tensões e energias, mas ao mesmo tempo prepara o espírito para o sossego da Quaresma que se aproxima.
Na noite de Terça feira de Carnaval, a rapaziada corre em cortejo as principais ruas da vila, levando numa padiola um defunto fictício e nas mãos os fachuqueiros ou “chafusqueiros” ( pedaços de palha de centeio atados para que não queimem depressa demais) a arder, que iluminam a noite fria. Transportam também chocalhos, latos velhos, penicos e ao percorrerem durante a noite as ruas fazem um funeral simbólico e num barulho ensurdecedor canta-se “ Ó meu Entrudo, Cabeça de Burro, Roubaste-me a Chicha e Deixaste-me os Ossos!!!”. Outros jovens transportam baldes de farinha que lançam aos curiosos que lhes aparecem ao caminho ou assomam às janelas.

 

Lenda de Poiares e Ligares
Segundo a lenda, a populosa povoação de Santo Estevão ficava à beira do Douro raiano, mesmo junto da margem direita, próximo da Malhadinha. Frequentemente talados e saqueados pelos povos da outra margem, resolvem alguns habitantes abandonar o local e ir «poisar» lá no alto, mais afastados e seguros, originando-se assim o topónimo da aldeia de Poiares.
Os restantes santestevenses, em contínuo desassossego, abandonam também o seu burgo. – Vamos «ligar-nos» aos outros, disseram. E originou-se Ligares.
Se a lenda tem ou não fundamento não se sabe, mas está provado que existiu uma povoação no sítio da Malhadinha, onde se têm encontrado diversos vestigios de povoamento antigo e as ruínas de uma capela dedicada a Santo Estevão.


Lenda de Lagoaça
Era uma serpente descomunal e ferocíssima, conhecida por todos pelo nome de «Lagóia», que habitava uma caverna para os lados do Vale de Santa Marinha. Quando a fome apertava ou por qualquer outro motivo despertava do seu torpor, a Lagóia saía do seu esconderijo e ai da criança ou adulto que lhe estivesse ao alcance. Fez tantas vitimas ao longo dos tempos que as gentes viviam aterrorizadas, as montarias para a sua captura nunca davam resultado porque o ofídio escapava sempre, até que conseguem enfrentar o terrível réptil sem recuos e todos armados de instrumentos cortantes liquidam este malvado bicho, voltando desta forma a paz e a serenidade a esta terra.
Lagóia, por evolução fonética, originaria o topónimo actual de Lagoaça.


Lenda do Ferronho e dos Castelares
Diz a lenda que no sítio do Castelo Ferronho e nos Castelares existem panelas de ouro, de prata e de peste, enterradas no local onde primeiro bate o sol ao raiar da manhã de S. Miguel. Ninguém se atreve a revolver a terra, dado que morre «meio-mundo», se chegam a descobrir-se.
Conta-se que um sonhador de tesouros, um tal Albano, após três noites visionárias, se pôs a escavar intensamente em determinada e certa direcção. Quando as suas escavações o conduzem até próximo das panelas, ouviu ruídos infernais e uma voz cavernosa e terrificante diz-lhe: « Pára imediatamente, nem mais uma cavadela. Se chegas à nossa vista morrerás fulminado, tu e meio mundo, com a onda de peste que rebentará como um vulcão.» Aturdido e amedrontado alterou-se-lhe o ritmo da respiração, sacudiram-no imagens lúgubres, ensanguentadas, medonhas. Com os cabelos em pé, tremuras por todo o corpo e suores frios, fugiu a sete pés e teve morte a curto prazo mergulhado em loucura. Até aos nossos dias não houve quem mais tentasse esta ousadia.
O Castelo Ferronho e os Castelares eram atalaias ou esculcas do castelo principal que existia em Freixo. No Ferronho, que vigiava o poente, e a que já o foral outorgado a Freixo por D. Afonso Henriques se referia designando-o por “Ferronium”, ainda hoje se podem observar vestígios de muralhas.


Lenda do Tesouro de Mènones
Esta designação é corruptela de Men Nunes. Conta-se que um alfacinha, após as proverbiais três noites de sonhos coincidentes, se deslocou a Freixo, encontrando na Fonte de Mènones um tesouro, constituído por um menino de ouro maciço. Lá se verifica, ainda hoje, no seu interior o gaveto resultante duma pedra granítica remexida.
Exultando com o seu achado, o lisboeta deixou na fonte a seguinte quadra:
Adeus fonte de Men Nunes,
Quem te dever que te pague,
Que eu dentro de ti achei
O valor de uma cidade.
A narração informa ainda que alguém, passado bastante tempo, lá encontrou coberta com musgos, uma considerável bola de ouro.


Lenda do Xido
Este topónimo da freguesia de Mazouco é pronúncia corrupta de Santo Isidro. Crê o povo que é milagrosa a água abundante que brota da nascente do Xido nos anos mais secos, em estios prolongados, cessando totalmente o manancial, ao contrário, em anos de copiosas chuvadas e rigorosos invernos.
É pois crença dos habitantes que o ano será farto, se a fonte não deitar água, e estéril, se jorrar muita.