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Abílio Manuel Guerra Junqueiro

 

Abílio Manuel Guerra Junqueiro, nasceu na pequena vila de Freixo de Espada à Cinta, a 15 de Setembro de 1850, filho do abastado negociante e lavrador José António Junqueiro Júnior, e de D. Ana Maria do Sacramento Guerra, a qual faleceu quando seu filho contava apenas 3 anos de idade, marcando-o profundamente.
”Minha mãe, minha mãe! Ai que saudade imensa...”


Aos 10 anos entra para um colégio do Porto (Instituto Portuense), onde foi companheiro de Bernardino Machado.

"...eu era bem miudinho quando cheguei ao Porto... a minha tristeza infinita, quando me vi abandonado, no colégio sombrio e gelado!..."

Em 1864 estreia-se literariamente com “Duas páginas dos catorze anos” conjunto de versos impressos destinados apenas a ofertas para os mais íntimos.
Com 16 anos, e depois de ter feito o Liceu, matriculou-se na faculdade de Teologia, na Universidade de Coimbra. Sai a público “Misticae Nuptiae”, onde já se observa um tanto de sua retórica e panteísmo, que dedica a Teófilo Braga. Tudo levava a pensar que Abílio Guerra Junqueiro viria a ser um padre da Igreja Católica, mas tal não se verificou.
Um ano depois (1867) e dedicando-o à memória de sua mãe publica “Vozes sem Eco” onde vai alternando o lirismo e vislumbres de intervenção político-social.
     
Em 1868 matriculou-se na Universidade de Coimbra no primeiro ano da Faculdade de Direito, vindo a concluir a sua licenciatura, em 1873. É por esta altura que sai do prelo “Baptismo de Amor” que dedica a Alfredo Leão. A 3 de Dezembro sob o pseudónimo de Vasco Hermínio inicia a sua colaboração em «A Folha », jornal literário, com a direcção de João Penha. Aqui cria óptimas relações de amizade com alguns dos melhores escritores e poetas do seu tempo, “o maior poeta moderno da Península” chamava-lhe Eça de Queirós. Guerra Junqueiro é o mais típico representante da chamada Escola Nova, poeta panfletário, as suas poesias ajudaram a criar o ambiente revolucionário que conduzirá à República.

Em 1870 a propósito de desastre de Sedan (04-09-1870) publica “Victoria da França” dedicada a Victor Hugo. Com a poesia “Morena”, publicada a 13 de Outubro, inicia uma colaboração com o «Primeiro de Janeiro» do Porto que se prolongará até Agosto de 1873.
Com vinte e quatro anos publica a “Morte de D. João” (1874) iniciando a fase adulta da sua carreira poética, atacando sem piedade a injustiça, a devassidão e o Padre Eterno. Em poucos meses vende os mil e duzentos exemplares da primeira edição.

Entretanto publica um fragmento do poema anti-clerical “O Melro”, que mais tarde aparece completo na “A Velhice do Padre Eterno” (1885) obra que é dedicada a Eça de Queirós e à memória de Guilherme de Azevedo, atraindo para Junqueiro uma espécie de maldição eclesiástica. É a partir desta altura que começa a sua “lenda” de anarquista e revolucionário filiando-se em 1879 no Partido Progessista “Filiei-me no partido progressista quando se debatia na adversidade e o seu programa de governo era inteligente, honesto e democrático”.
Cerca de 1883 terá começado a emparcelar a sua Quinta da Batoca, no Alto Douro, e que irá alargando ao longo dos anos com novas aquisições transformado-a num importante centro produtor de vinho do Porto.
Quinta da Batoca
           
Os SimplesPelos primeiros dias de Janeiro de 1891 aparece nas livrarias “Finis Patriae” e no ano seguinte é posto à venda “Os Simples” que dedica à esposa “É este por enquanto o meu melhor livro. Pertence-te.”             

PátriaA 14 de Agosto de 1895 assina um documento pelo qual cede à firma José Pinto de Sousa Lello & Irmão, por um conto de réis, os direitos da primeira edição de “Pátria”, cuja primeira tiragem seria de seis mil e seiscentos exemplares e sairá a público no ano seguinte. Nesta sua obra que Junqueiro dedica à alma de José Falcão e aos amigos Basílio Teles e José Pereira de Sampaio, aparecem implícitos ataques à realeza e acérrimas críticas aos abusos políticos da época, produzindo um grande escândalo e reacções desabridas. Sobre esta obra há-de escrever Fernando Pessoa a 7 de Abril de 1914 no jornal «República» :”(...) a “Pátria” de Junqueiro é, não só a maior obra dos últimos trinta anos, mas a obra capital do que há até agora de nossa literatura. Os Lusíadas ocupam honradamente o segundo lugar.(...)”.


Em 1902 dá à estampa “Oração ao Pão” que dedica à memória de Fialho de Almeida e nos finais de 1904 “Oração à Luz”.
Publica “Edith Cavell” (1916), um hino à caridade cristã, à liberdade e à justiça em homenagem da enfermeira inglesa fuzilada em Bruxelas pelos alemães, durante a I Guerra Mundial, por ter dado fuga a alguns prisioneiros e oferece o produto da sua venda à enfermagem da «Cruzada das Mulheres Portuguesas». Em Março de 1918 conclui “O Monstro Alemão” que depois oferece para publicação à Junta Patriótica do Norte e cujo produto de venda se destina à obra de assistência aos órfãos de guerra.
Pouco tempo antes de falecer (1922) publica “Prosas Dispersas”.
Talvez o poeta mais popular da sua época, embora hoje se lhe reconheçam contradições e efeitos fáceis. Na suas obras realce para a originalidade e o extraordinário sentido de caricatura, uma capacidade quase primitiva de exprimir as ideias em símbolos vivos e, ainda, a riqueza verbal e de imagens com que contribuiu para a renovação do verso português.
     
Na vida administrativa, iniciou-se como secretário geral do governador civil dos distritos de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo. Em 1878, o círculo de Macedo de Cavaleiros elegeu-o por seu representante em cortes e deputado.
Em 1887, adere ao grupo «Vencidos da Vida», de que também faziam parte Eça de Queirós e Oliveira Martins. Após o Ultimato inglês, em 1890, Junqueiro escreve “A Marcha do Ódio” que com música do maestro portuense Miguel Ângelo é cantada nas ruas de todo o país. É sensivelmente por esta altura que rompe com Oliveira Martins, abraçando com ardor a causa republicana. Instalada a república, em 1910, foi chamado para ministro em Berna, função que desempenhou entre 1911 e 1914, mas desalentado com o andamento da situação em Portugal, recolheu-se para a vida doméstica até sua morte, cheia de glórias.


Célebre pela sua poesia anticlerical, Guerra Junqueiro obteve em suas sátiras efeitos de caricatura que intensificaram a retórica dos seus versos.


Casa do PoetaSe muita coisa se perdeu da sua obra, sobretudo da fase de acentuada ortodoxia realista, são válidos principalmente os valores de sua poesia dos últimos tempos. O autor ultrapassou o seu tempo, cobrou fôlego e permanece até hoje, graças à visão plástica que nos ofereceu para uma situação perene para o homem: as dúvidas e os desacertos interiores e exteriores de sua trajectória pela terra.
Guerra Junqueiro morreu em Lisboa em 7 de julho de 1923.

 


"Que todos os homens que têm filhos pequenos lhes ensinem a começar de hoje a ler e a respeitar o nome desse português que acreditou em deus e na pátria, no amor e na beleza, e morreu serenamente como um justo"

in Diário de Lisboa de 14-07-1923

              

 

Passeio Guerra Junqueiro
Passeio Guerra Junqueiro
Localizado à entrada de Freixo de Espada à Cinta, o Passeio Guerra Junqueiro eterniza de forma singular a produção literária de um Poeta que marcou a literatura do Séc. XIX.

 

Esculpidas em lajes de granito da região, este “passeio de cultura” grava de forma cronológica as obras daquele que ambicionava que a Constituição de 1910 fosse redigida em poesia.
               


 


 
Cronologia e obra do Poeta Guerra Junqueiro        
   
1864 -   “Duas Páginas dos Catorze anos”            
1866 -   “Misticae Nuptiae”            
1867 -   “Vozes sem Eco”          
1868 -   “Baptismo de Amor”      
1870 -   “Victória da França”      
1873 -   "À Espanha Livre"      
1874 -   “A Morte de D. João”      
1875 -   “O Crime"      
1877 -   “A fome no Ceará"      
1877 -   “Tragédia infantil"      
1877 -   “Contos para a Infância"      
1878 -   “Aos Veteranos da Liberdade"      
1879 -   “O Melro"            
1879 -   “A Musa em Férias”          
1879 -   “Viagem à Roda da Parvónia”      
1885 -   “A Velhice do Padre Eterno”      
1888 -   “A Lágrima"      
1890 -   “Marcha do ódio”      
1891 -   “Finis Patriae”      
1892 -   “Os Simples”      
1896 -   “Pátria”      
1902 -   “Oração ao Pão"            
1904 -   “Oração à Luz"            
1910 -   “Théorie de Certaines Action Radio-biologiques"            
1912 -   “A Festa de Camões"            
1916 -   “Edith Cavell”            
1918 -   “O Monstro Alemão”            
1920 -   “Poesias Dispersas”            
1921 -   “Prosas Dispersas”            
   
Publicações posteriores à sua morte:

     
1924 -   “Horas de combate ”      
1925 -   “Caminho do Céu"      
1925 -   “Vibrações Líricas”      
1926 -   “Prometheu Libertado"      
1945 -   “Horas de Luta"      
1950 -   “Antologia para a Juventude"      
 

 

"Não faço versos por vaidade literária. Faço-os pela mesma razão por que o pinheiro faz resina, a pereira pêras, e a macieira maças: é uma simples fatalidade orgânica. Os meus livros imprimo-os para o público, mas escrevo-os para mim."


A Velhice do Padre Eterno